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Imprensa

Aqui você fica sabendo das resenhas e notícias sobre o nosso SACD que saíram na imprensa.

Resumo das resenhas:

  • Disco do mês na revista WHOLE NOTE (Canadá):
    “Tudo nesta nova gravação fala sobre o incrível senso de entrega de Marco Alcantara para com a obra, e para com este projeto. Eu nunca vi, na minha vida, melhor texto acompanhando um CD. (...) A interpretação de Marco Alcantara não deixa nada a desejar. É possível ouvir a força de sua personalidade combinada com momentos de barulhento humor, suavidade, reverência e paixão. De todas as formas possíveis, esta gravação é um feito incrível.” Jamie Parker
  • Revista AMERICAN RECORD GUIDE (Estados Unidos):
    “ Alcantara deixa a música falar por si mesma e nunca chama a atenção para suas façanhas técnicas. (...) Se esta gravação não muda o carinho que tenho pelas de Serkin, Demidenko, Bishop-Kovacevich e outros, ela certamente se junta a elas.” Alan Becker
  • Revista VEJA:
    “ (...) a gravação de Marco Alcantara utiliza uma afinação especial para o piano, que dá mais cor ao fraseado. Inclui também uma interpretação de rascunhos das variações inédita em disco”
  • Web site DIGESTIVO CULTURAL:
    “(...) é surpreendente encontrar um intérprete tão consciente de seu trabalho, tão preocupado em dar uma verdadeira contribuição à obra e, ao mesmo tempo, tão sensível e talentoso na realização. (...) Marco seguiu os passos de outros mestres como Alfred Brendel, colocou mais uma peça no quebra-cabeças das Diabelli e sondou, mais profundamente, a vastidão desse oceano chamado Beethoven.” Julio Daio Borges
  • Revista SOUNDSTAGE! (Canadá):
    “De vez em quando um disco aparece para se sobressair sobre todos os outros: todos os detalhes foram pensados e estão no lugar certo. O SACD em estéreo da Sui Generis Beethoven Diabelli Variations com o pianista Marco Alcantara é um desses discos. Alcantara toca com elegância, precisão e lirismo num piano usando uma afinação conhecida como Thomas Young n.1.” Rad Bennett
  • Revista THE ABSOLUTE SOUND (Estados Unidos):
    “ Ele comunica inteiramente a riqueza da invenção e imaginação de Beethoven nas três sublimes variações em Dó menor (nos. 29-31), criando um clima de profunda e espiritual introspecção.(...) Vale a pena.” Andrew Quint
  • Revista ÁUDIO E VÍDEO:
    “ O que engrandece ainda mais este trabalho é que a qualidade técnica, os cuidados com a escolha do instrumento, local da gravação, afinação e, sobretudo, a interpretação, são absolutamente impecáveis!
    Trata-se de um disco obrigatório para amantes ou não da música clássica.
    Ainda que você tivesse que ir ao Himalaia para adquirir este trabalho, valeria a pena todo esforço.” Fernando Andrette
  • Jornal FOLHA DE SÃO PAULO:
    “ (...) o disco impressiona pela qualidade de áudio” Irineu Franco Perpetuo
  • Jornal CORREIO BRAZILIENSE:
    “ Há todo um conjunto de detalhes musicais que fazem desta uma interpretação importante para as Variações, mas é no acabamento do disco que começa o trabalho de Alcantara.” Nahima Maciel
  • Web site CORREIO WEB:
    “trata-se do primeiro SACD (Super Áudio) de música erudita do Brasil. O álbum ainda vem com um livreto bilíngüe de 173 páginas e os esboços das Variações Diabelli.” Ronaldo Mendes
  • Web site AGÊNCIA JB:
    “(...) magistralmente modelada num nível de compreensão musical e de interpretação em perfeita sintonia com a envergadura da obra." Carlos Eduardo Muniz da Silva
  • Jornal CORREIO DO POVO – RS:
    “ O resultado, já elogiado em diversas publicações especializadas, é uma interpretação vigorosa, lírica, elegante e precisa.” Daniel Soares
  • Web site AUDIOPHILE AUDITION (Estados Unidos):
    “O pianista brasileiro Marco Alcantara e a gravadora Sui Generis trabalharam de um modo desafiador e enciclopédico numa edição comentada das Variações em Dó Maior sobre um tema de Diabelli de Beethoven (...).” Gary Lemco

Ou você pode ler as resenhas completas, se preferir:

 

Novembro, 2007

A revista americana American Record Guide, uma das mais antigas e tradicionais revistas sobre música clássica nos Estados Unidos publicou uma resenha do nosso disco entre outras várias gravações das Variações Diabelli. Veja o que o senhor Alan Becker tem a dizer:

'Este novo selo vindo do Brasil traz algo de novo para a já enorme lista de gravações das Variações Diabelli de Beethoven. As faixas 35-51 contêm esboços do compositor para a gigantesca obra, e eles são um meio fascinante de observar o processo criativo do mestre. O CD ainda traz um livrinho com 173 páginas preparado pelo próprio pianista com análises, exemplos musicais e fac-símiles de algumas páginas do manuscrito – em duas línguas: inglês e português do Brasil. A bem-humorada imagem de Beethoven na capa pode criar suspeitas sobre a seriedade deste projeto. Não tema. Os únicos pontos negativos são o preço e o apertado encaixe no livrinho, que precisa ser delicadamente manuseado para não danificar o disco.
Eu chequei que a Amazon.com vende o disco por 35 dólares, o que me faz pensar que todo esse trabalho de pesquisa não é uma coisa barata. Alcantara também usa afinação histórica, deixando poucas áreas intocadas. Neste ponto o leitor pode estar se perguntando: o disco vale a pena? Decididamente sim, seria minha resposta. Se você gosta de fogos de artifício nas suas Diabelli, esta não é a gravação para você. Alcantara deixa a música falar por si mesma e nunca chama a atenção para suas façanhas técnicas. Desde a afirmação inicial do tema até a variação final, o pianista tem um cuidado especial para não se intrometer no meio da música. Com a afinação histórica seria esperado o uso de um fortepiano. Mas como ele mesmo aponta nas suas notas, Alcantara tem uma clara preferência pelo instrumento moderno. Ouvido em SACD, esta preferência é amplamente justificada, e mesmo a reprodução num tocador de CD normal é bela o suficiente.
Os pontos altos são a variação 20 pela intensa concentração dada ao andante e para o Largo e Fuga finais. O Largo, a maior variação, dá bastante espaço ao pianista pela beleza e desolação. Com o Tempo di Minuetto final nós fechamos o círculo completo já que as Variações Diabelli se encerram muito próximas de como começaram, com um humor leve. Se esta gravação não muda o carinho que tenho pelas de Serkin, Demidenko, Bishop-Kovacevich e outros, ela certamente se junta a elas.
Os esboços duram menos de nove minutos, mas são essenciais para a nossa compreensão do processo de composição de Beethoven. Uma introdução, por exemplo, foi originariamente concebida para ser tocada antes do tema. Beethoven decidiu abandoná-la, mas esta idéia primeira está incluída aqui. Alcantara chega a tocar algumas notas do tema após o esboço para que nós possamos ouvir como eles se encaixariam. Este e outros esboços são analisados pelo pianista nas suas notas. Também é fascinante uma tabela com títulos dados a cada variação por Czerny, Brendel e outros. Incluindo Alcantara, que certamente merece contribuir com suas idéias.'

 

Agosto, 2007

A revista Veja é a primeira a publicar uma resenha em Agosto. Leia o que eles escreveram em Veja Recomenda:

'Alcantara: um Beethoven intrigante
Beethoven – Diabelli Variations, Marco Alcantara (Sui Generis) – Em 1819, o compositor Anton Diabelli enviou a vários colegas seus um pequeno tema, para que fossem feitas variações. Beethoven escreveu a sua, mas ficou intrigado com as possibilidades que poderiam surgir desse trabalho. O compositor acabou por criar sua maior peça para o piano, composta de 33 variações que vão da paródia à força e energia que lhe são típicas. Um pouco difícil de digerir numa primeira audição, mas muito rica para um ouvido atento às reinvenções de Beethoven, a gravação de Marco Alcantara utiliza uma afinação especial para o piano, que dá mais cor ao fraseado. Inclui também uma interpretação de rascunhos das variações inédita em disco.'

 

Em seguida Julio Daio Borges escreveu para o Digestivo Cultural:

'Há como lutar contra a onipresença da música na internet? Talvez não. Uma idéia – e, não, uma solução – talvez seja experimentar novos formatos e fornecer diferentes dados, sofisticando além do MP3 e contextualizando mais intimamente do que uma mera busca no Google. Foi o que a Sui Generis Music fez, ao lançar as Diabelli Variations de Beethoven, em interpretação do pianista brasileiro Marco Alcantara, no novo formato Super Audio CD (SACD), com um dos maiores (e melhores) livretos da história da gravação. Alcantara mergulhou fundo na pesquisa e, além do tema e das suas 33 variações, registrou mais dezessete esboços do Mestre de Bonn. Não satisfeito, usou uma afinação também histórica. Sem contar que redigiu, de próprio punho, as mais de 150 páginas do encarte, sobre as inesgotáveis Variações Diabelli, desde a sua concepção até uma extensa bibliografia, passando, claro, pelos tais esboços e pelos tipos de afinação. Num País em que se acredita, ainda, em arte como "inspiração" – e em artistas mediúnicos –, é surpreendente encontrar um intérprete tão consciente de seu trabalho, tão preocupado em dar uma verdadeira contribuição à obra e, ao mesmo tempo, tão sensível e talentoso na realização. Lá fora – visto que o disco sai aqui só agora, neste segundo semestre –, Marco Alcantara e sua versão para as Diabelli Variations de Beethoven foram unânimes na aceitação. Também pudera, Marco seguiu os passos de outros mestres como Alfred Brendel, colocou mais uma peça no quebra-cabeças das Diabelli e sondou, mais profundamente, a vastidão desse oceano chamado Beethoven. Numa divertida auto-entrevista, Marco Alcantara deixa sugerido que poderia trabalhar, ainda, com novas afinações... Que ele realize esse e outros projetos, é o desejo sincero de quem ouve.'

 

A jornalista Nahima Maciel escreveu um artigo mais extenso para o jornal Correio Braziliense:

'Beethoven em tom de época
Sim, Beethoven andava de bom humor naqueles dias de 1819. De tão excepcional, o fato motivou o violinista e amigo Anton Schindler a registrar no próprio diário os poucos sorrisos do compositor de temperamento ranzinza. O motivo estava na composição de uma série de variações sobre um tema de outro compositor, Anton Diabelli, nas quais Beethoven andava mergulhado. Meses depois, o mesmo amigo ouviria um áspero "saia daqui!". O compositor alemão já havia abandonado as variações e preparava a partitura da dramática Sinfonia nº 9. A história é contada pelo pianista Marco Alcantara quando precisa explicar o porquê do sorriso irônico da figura estampada na capa de Beethoven - Diabelli Variations. O disco levou três anos para ficar pronto e acaba de chegar ao mercado pelo selo Sui Generis. Há todo um conjunto de detalhes musicais que fazem desta uma interpretação importante para as variações, mas é no acabamento do disco que começa o trabalho de Alcantara.
A capa é uma versão sorridente de um famoso retrato de Beethoven feito pelo pintor Ferdinand Waldmüller em 1823. E o encarte é um texto generoso, bilíngüe e bem detalhado sobre a história das Variações Diabelli. Foi escrito pelo próprio Alcantara para introduzir o ouvinte ao contexto do nascimento da peça. As 176 páginas contam como Beethoven aceitou o convite de Diabelli para escrever apenas uma variação e acabou tão envolvido com a obra que compôs 33. Foram necessários ao compositor quatro anos para finalizar a série. Entre o início e a conclusão, Beethoven compôs três sonatas para piano, além da Missa Solemnis e da Nona Sinfonia, provavelmente sua obra mais conhecida. Acontece que as Variações Diabelli são de difícil encaixe na história musical do alemão. "É uma obra única", avisa Alcantara. "Tem estilos completamente diferentes, que você não encontra em outras obras. Elas são de um período em que Beethoven está indo em outra direção. Mas ele era assim, toda vez que fazia alguma coisa muito para frente, recuava. Há coisas muito modernas nas Diabelli e elas têm mais influência hoje do que na época em que foram compostas."
Beethoven fundou o romantismo na música erudita ao inovar a forma sinfônica com contornos épicos e heróicos. Fez isso em sua segunda fase, a que mais influência exerceu na história da música nos séculos subseqüentes. A terceira e última fase, no entanto, pouca repercussão obteve no cenário da época. Foi um período em que Beethoven estava concentrado em formas de expressão mais pessoais, com especial interesse por gêneros como fugas e variações. Datam dessa época as Diabelli. Alcantara chama a atenção para alguns detalhes da peça, como a Variação 8, um poco vivace de um minuto e meio no qual o som de baixo desenhado pela mão esquerda é muito semelhante ao que Johannes Brahms incorporaria como marca anos mais tarde, já em plena era romântica.
Serenidade
Uma boa maneira de compreender o formato da peça é ouvir com atenção a primeira parte do conjunto, desde o tema até a Variação 10, momento de tensão crescente pontuado por equilibrados freios ou trechos de relativa calma. Após a 10ª, no entanto, a sonoridade é outra. Beethoven estabelece certa serenidade e usa andamentos mais lentos para justificar o novo tempo. Beleza e importância à parte, Marco Alcantara encontra amparo em outros pormenores para explicar sua gravação para a peça.
As Variações Diabelli estão entre as obras de Beethoven para piano mais gravadas do século 20. Já passaram pelas mãos de gente como Vladimir Ashkenazy, Maurizio Pollini, Daniel Barenboim, Sviatoslav Richter e mais uma dezena de pianistas relevantes nos últimos 40 anos. O que acrescentaria mais uma gravação a uma lista que soma mais de 40 discos com interpretações diferentes? "Essa é, provavelmente, a primeira feita com afinação histórica no Brasil", adianta Alcantara. Em vez de um piano temperado, como o que costumamos ouvir hoje, pianista preferiu ajustar os tons do instrumento de acordo com os que Beethoven usava no século 19. O norte-americano Scott Kuhn ficou responsável pela afinação conhecida como bem-temperada, em que as teclas brancas do piano estão mais afinadas que as pretas. O detalhe permite perceber melhor as tonalidades imaginadas pelo compositor no momento em que escreveu a peça.
Alcantara incluiu ainda alguns esboços do alemão para primeiras versões da peça. "Na verdade, comecei a estudar esses esboços para fazer uma introdução antes da série de concertos que fiz com as variações", explica. Muitos desses rascunhos do que mais tarde se tornariam as Variações Diabelli ajudam a perceber os caminhos traçados por Beethoven, iniciados num modo de composição muito natural ao seu estilo e encerrados com partituras bastante modernas para a época.'

 

O jornalista Irineu Franco Perpetuo escreveu para a Folha de S. Paulo:

'No formato de alta fidelidade SACD (mas funcionando também em aparelhos de CD player), o pianista Marco Alcantara (tendo como instrumento um piano Steinway de Hamburgo) enfrenta as 33 variações que Beethoven compôs, em 1823, sobre uma valsa do editor vienense Anton Diabelli -um monumento de concisão e variedade, que sintetiza a história da escrita para piano até então, e, de quebra, prenuncia a música do futuro. Gravado na Faculdade Santa Marcelina, em São Paulo, o disco impressiona pela qualidade de áudio.
POR QUE OUVIR: Bem cuidada, a produção inclui também a primeira gravação mundial dos esboços do compositor para a obra e um encarte de 173 páginas, contendo extensa explicação, em português e inglês, sobre a peça.'

 

O jornalista Hugo Cals escreveu para o JB Online:

'Primeiro SACD de música clássica feito no Brasil chega as lojas
RIO - A música clássica é um gênero refinado com um público seleto, com ouvido apurado. Apesar de não figurar na lista dos mais vendidos ou abrigar concertos para grande platéias, os requintes sinfônicos de violinos, flautas, e outros instrumentos tem muitos adeptos ao redor do mundo. Audiófilos, os fãs deste tipo de música sempre primam pela qualidade sonora de registros lançados. Será lançado em outubro no Brasil, o primeiro SACD (super áudio CD) brasileiro do gênero, nova forma de tecnologia que abriga um campo sonoro muito maior (leia-se mais qualidade) do que os cds comuns. O JB Online pediu para o especialista em música clássica e engenheiro civil aposentado, Carlos Eduardo Muniz da Silva, para escrever sobre este lançamento.
Segue o texto na íntegra:
"Acaba de me chegar às mãos um exemplar de futuro lançamento nacional de um auspicioso registro fonográfico, programado para o mês de outubro de 2007, caracterizando o primeiro SACD de música clássica no Brasil. Trata-se das Variações Diabelli Opus 120, de Beethoven, em primeira gravação mundial usando afinação histórica, embora em instrumento moderno. O executante dessa monumental obra é o pianista brasileiro Marco Alcântara, que escreveu o livrinho que compõe o lançamento, com 173 páginas, com textos em inglês e português, o qual comporta uma sede para acondicionamento do CD.
A composição se insere no período espiritual, derradeiro, da produção beethoviniana, no qual a obra do mestre se sublimou com exuberância tal que não encontra símiles nos anais da música universal. Portanto, trata-se de uma auspiciosa iniciativa, num momento em que a música clássica vem sendo tão vilipendiada pela indústria fonográfica, especialmente a nacional.
A respeito da obra, registra a história a pretensão de Anton Diabelli, também ele compositor além de editor, no sentido de que uma valsa de sua autoria fosse objeto de variações que deveriam ser compostas pelos mais destacados compositores coevos do autor, incluindo-se entre eles Franz Schubert e o menino prodígio de onze anos, Franz Liszt. A princípio, Beethoven rechaçou a empresa por achar que a valsa, por seu escasso valor musical, não merecia sua atenção, o que não o impediu de, posteriormente, acabar compondo essas variações, que se constituíram em uma de suas obras cimeiras e de maior importância.
Sobre o futuro lançamento, afora o aspecto artístico da interpretação, louve-se a excelência da composição gráfica, embora não me agrade a efígie do compositor escolhida, que mais se assemelha à de um ator humorístico da TV. O sorriso afivelado em seu semblante em nada se coaduna com a habitual sisudez do gênio de Bonn. De qualquer forma, é digno de todos os encômios o texto elaborado pelo pianista brasileiro, que evidenciou uma rara sabedoria musical, especialmente na seara beethoviniana do período derradeiro.
Confesso que, numa primeira audição, não me agradou a característica tímbrica do piano com a afinação histórica, que, a meus ouvidos, conferiu ao resultado sonoro uma sugestão de falta de brilho e de emotividade. Aliás, registre-se que a peça em si, não obstante seu extremado valor musical, é destituída de “páthos”, em comparação com outras obras pianísticas do compositor.
Tive a sensação de que esse aspecto a que acabo de referir não está presente, tão nitidamente, nas interpretações que já ouvi em instrumento com afinação tradicional. Confrontei esta versão com a do pianista argentino Daniel Barenboim, que, a princípio, causou-me a impressão de soar mais arrebatada e expressiva, favorecida pelo uso da sonoridade a que meus ouvidos estão afeitos. Todavia, numa segunda audição percebi que foi inteiramente falsa a sensação de carência de brilho. Agradou-me mais, desta feita, o timbre produzido pela afinação histórica, cuja sonoridade já me pareceu bem mais próxima da que estamos acostumados; acrescente-se a isso o ganho fonográfico proporcionado pelo sistema super áudio.
Quanto ao artista, percebe-se que se trata de um estudioso e conhecedor profundo da obra em apreço, o que, ainda que não fosse por suas evidentes virtudes, já tornaria o lançamento digno de ser entusiasticamente recomendado, aos consumidores de música de elevado nível de concepção e, também, magistralmente modelada num nível de compreensão musical e de interpretação em perfeita sintonia com a envergadura da obra."

 

Para encerrar o mês, o jornalista Ronaldo Mendes escreveu para o Correio Web:

'Releitura de Beethoven
Durante três anos, Marco Alcântara mergulhou fundo na vida de Beethoven. O resultado da dedicação do jovem pianista pode ser conferido em Beethoven – Diabelli Variations, CD recém-lançado pelo selo Sui Generis. Mesmo que a obra já tenha passado pelas mãos de mestres como Daniel Baremboim e Vladimir Ashkenazy, as 33 variações aqui interpretadas têm cara própria.
O que talvez possa explicar a diferença nessa gravação é o fato de Alcântara ter escolhido uma afinação similar à usada na época em que Beethoven compôs a obra. No entanto, ele garante que, para outras peças, gosta dos tons mais modernos. "Como músico, o importante para mim é sempre o som, e é por causa dele que prefiro o piano moderno", explica.
Beethoven compôs as Variações Diabelli enquanto trabalhava na nona sinfonia. A peça é diferente de tudo visto na obra do compositor alemão. Parece ter sido feita para escapar dos momentos de tensão enquanto estava mergulhado naquela que é a mais a obra mais conhecida da música erudita. Na época, Diabelli era dono de uma editora. Ele enviou uma carta para vários autores, na qual pedia que fizessem uma variação sobre uma valsa de sua autoria.
Beethoven não enviou na data certa, mas quatro anos depois entregou não só uma, mas as 33 variações presentes nesse registro. A gravação de Marco Alcântara carrega outra característica ímpar: trata-se do primeiro SACD (Super Áudio) de música erudita do Brasil. O álbum ainda vem com um livreto bilíngüe de 173 páginas e os esboços das Variações Diabelli.'

 

Julho, 2007

A revista Áudio e Vídeo publica a primeira resenha no Brasil do nosso SACD Beethoven Diabelli Variations. Leia o que Fernando Andrette disse:

'O destaque deste mês é, sem dúvida alguma, o belo SACD do pianista brasileiro Marco Alcantara. O que impressiona neste disco é a quantidade de informações levantadas para o livreto de 176 páginas que acompanha o disco.
Tudo feito de próprio punho pelo músico.
Na página de agradecimento, Marco Antonio escreveu: "Finalmente acabou. Este SACD que creio ser o primeiro SACD de música erudita feito no Brasil, deu muito trabalho. Mas após todos esses anos de tortura, estou contente com o resultado final."
No prefácio, em forma de entrevista realizada com o pianista, Marco Antonio explica no que consiste este trabalho e porquê ele deu tanto trabalho para ser realizado.
"- No que consiste este CD?
- Na primeira gravação mundial usando afinação histórica da maior obra para piano de Beethoven, as Variações Diabelli Opus 120. Inclui alguns dos esboços que Beethoven fez para a obra, escolhidos e editados por mim, material nunca antes lançado comercialmente.
- Por que você decidiu escrever o texto que acompanha o disco?
- Eu escrevo, antes de tudo, para aprender mais, pois ao escrever testo e organizo aquilo que sei.
- Por que gravou usando afinação histórica? Que diferença isso faz?
- A afinação histórica que usamos, a Young n.1, não é tão radicalmente diferente da temperada, portanto não tão longe do que costumamos ouvir."
É realmente uma gravação histórica que merece ser conhecida, feita por um grande músico, dedicado e muito talentoso.
Ainda no prefácio do livreto o entrevistador faz um pergunta pertinente ao pianista Marco Alcantara, referente a possibilidade do material ser muito técnico para o ouvinte, já que se trata de um material nunca gravado antes. E a resposta do pianista é brilhante: "Em contato com uma obra de arte, nos perguntamos: o que é isso? Queremos saber mais sobre ela. Foi justamente o que fiz com os esboços e este texto, para que as pessoas possam saber mais sobre uma das mais importantes obras já escritas para o piano."
O que engrandece ainda mais este trabalho é que a qualidade técnica, os cuidados com a escolha do instrumento, local da gravação, afinação e, sobretudo, a interpretação, são absolutamente impecáveis!
Trata-se de um disco obrigatório para amantes ou não da música clássica.
Ainda que você tivesse que ir ao Himalaia para adquirir este trabalho, valeria a pena o esforço.'

 

Daniel Soares publicou no jornal Correio do Povo:

'Raro Beethoven em edição comentada
O pianista brasileiro Marco Alcantara está à frente de um dos mais importantes lançamentos mundiais da música erudita, o álbum Beethoven – Diabelli variations (Sui Generis). Além do valor histórico das peças apresentadas, o disco é o primeiro SACD (sistema de alta performance para leitura de áudio) de música clássica feito no Brasil.
Soma-se a isso o fato de ser a primeira gravação mundial no estilo, utilizando-se da afinação histórica e que os esboços de Beethoven para as variações também estão ali gravados pela primeira vez.
O editor austríaco Anton Diabelli era conhecido também por solicitar variações de peças a seus editados, com Schubert, Hummel, Czerny e Lizst. De Beethoven, conseguiu 33 variações, considerada, por muitos, como sua maior obra para piano.
Para alcançar o sentido original das peças, o piano de Alcantara recebeu a afinação conhecida por Thomas Young n.1. O resultado, já elogiado em diversas publicações especializadas, é uma interpretação vigorosa, lírica, elegante e precisa. O disco também traz um extenso livro, com comentários pertinentes à obra.'

 

Junho, 2007

Outro programa na Rádio Cultura de São Paulo. O prestigiado programa do pianista Gilberto Tinetti, Pianíssimo, tocou nosso disco Beethoven Diabelli Variations. Ficamos honrados com a crítica positiva de Gilberto Tinetti.

A revista americana de áudio The Absolute Sound publica uma resenha sobre o nosso disco na edição de Junho/Julho. Andrew Quint escreve:

'A história do Opus 120 de Ludwig van Beethoven é conhecida. Anton Diabelli, um editor de música Austríaco, pediu variações sobre uma valsa de sua autoria para dezenas de compositores incluindo Schubert, Hummel, Czerny, e Liszt. Beethoven inicialmente declinou o convite – ele não gostou do tema de Diabelli ou do conceito do projeto – mas depois acabou por escrever 33 variações para o que muitos consideram sua maior obra para o piano.
O pianista brasileiro Marco Alcantara realizou a primeira gravação das Diabelli utilizando ‘afinação histórica’ e ainda incluiu mais de oito minutos dos esboços que Beethoven fez para a peça, um com duração de apenas 11 segundos. O disco vem com um livreto de 176 páginas (incluindo 13 páginas de notas de rodapés e referências) que é grandemente informativo. A interpretação de Alcantara é sólida, coerente e deve ser levada em conta. Ele comunica inteiramente a riqueza da invenção e imaginação de Beethoven nas três sublimes variações em Dó menor (nos. 29-31), criando um clima de profunda e espiritual introspecção.
A camada DSD estéreo da gravação oferece um piano com maravilhosa variedade de timbres. Ele é brilhante e um pouco ressonante às vezes, mas isso tem a ver com a afinação do instrumento e com a técnica de gravação. Vale a pena.'

 

Maio, 2007

Marco Alcantara foi entrevistado pelo maestro Júlio Medaglia no seu programa Contraponto, na Rádio Cultura de São Paulo.

Leia a crítica que Gary Lemco escreveu sobre nosso SACD em Audiophile Audition:

'O pianista brasileiro Marco Alcantara e a gravadora Sui Generis trabalharam de um modo desafiador e enciclopédico numa edição comentada das Variações em Dó Maior sobre um tema de Diabelli de Beethoven, além de mais de oito minutos de esboços prometéicos, os poucos que ainda existem para esta obra magna. O piano de Marco Alcantara foi preparado com uma afinação bem-temperada que segue o sentido original das variações cromáticas de Beethoven (não é tão diferente do normal – não tanto quanto música de quarto de tom!...editor) Para aqueles com apetite por acústica e afinação temperada, o livreto de 173 páginas traz vários detalhes sobre altura, série harmônica e desvios em várias modalidades. Czerny e Badura-Skoda foram guias para Marco Alcantara na forma de interpretar as obras tardias de Beethoven.
Esta gravação se qualifica como o primeiro SACD de música clássica feita no Brasil, e ainda que apenas em estéreo o aspecto audiófilo do disco é percebido pelo som brilhante de grande clareza. A interpretação de Marco Alcantara guarda o fulminante estilo de bravura; ele procura prover uma intimidade intelectual e penetrante para o gigantesco design estrutural da obra, apreciando o jogo de linhas distintas e seus momentos ocasionais de humor homérico. O som mais antigo do piano se adequa aos elementos mais arcaizantes da música, como as imitações da abertura francesa na Variação 14, da polifonia a três vozes e dos estilos de Bach e Handel.
Existe também um tocar realmente furioso, como na Variação 17, Allegro, com ostinatos agressivos. O toque elegante e perolado de Marco Alcantara poderá lembrar pelo menos na superfície de Kuerti, por exemplo. A Variação 20 soa próxima ao início do último movimento da Sonata Op.110, com inserções da harmonia da Sonata Op.111. A Variação Mozart passa muito rápido, mas sua harmonia provocadora é percebida. A forma como Marco Alcantara toca figurações como notas repetidas rápidas e oitavas quebradas é sinceramente chocante, me lembrando de John Ogden. A parte dos esboços do CD é um raro prazer, uma olhadela na oficina de Hefestus. Fragmentárias, hesitantes, experimentais por natureza, estas ‘bagatelas’ sobre a pequena valsa em Dó maior nos permitem sentar no banco do piano com o compositor, procurando por caminhos musicais preciosos.'

 

Abril, 2007

A revista canadense de música clássica Whole Note escolhe nosso SACD como Disco do Mês. Leia aqui a resenha completa de Jamie Parker:

'O pianista brasileiro Marco Alcantara se devotou completamente para as Variações Diabelli de Beethoven, e está agora lançando os frutos do seu trabalho num Super Audio CD da gravadora Sui Generis. As Variações Diabelli levam uma hora para serem tocadas, e elas testam o pianista de todas as maneiras possíveis. As dificuldades mentais, emocionais, físicas e espirituais para lidar com esta obra monumental detêm a maioria dos pianistas. Eu tive sorte por poder ouvi-las duas vezes no ano passado. A primeira no último verão, quando Robert Silverman as tocou no Festival of the Sound em Parry Sound, e a segunda vez no outono, quando eu estava no júri do concurso international de piano Esther Honens International Piano Competition, tocadas por Min Soo Sohn, que se tornou o primeiro a receber Laureate neste concurso. Ambas as performances foram excelentes.
Tudo nesta nova gravação fala sobre o incrível senso de entrega de Marco Alcantara para com a obra, e para com este projeto. Eu nunca vi, na minha vida, melhor texto acompanhando um CD – o booklet é um maciço calhamaço de 173 páginas, impresso em inglês e português. Marco Alcantara leu e pesquisou muito, e também incluiu sua interpretação de alguns dos esboços preliminares da obra, usando uma afinação histórica (uma das muitas afinações do chamado sistema bem temperado), e escreveu coerentemente, agradavelmente e com notas muito informativas.
A interpretação de Marco Alcantara não deixa nada a desejar. É possível ouvir a força de sua personalidade combinada com momentos de barulhento humor, suavidade, reverência e paixão. De todas as formas possíveis, esta gravação é um feito incrível.'

 

Março, 2007

O nosso SACD Beethoven Diabelli Variations recebe sua primeira crítica. Rad Bennett, editor de música da revista canadense SoundStage! disse:

'De vez em quando um disco aparece para se sobressair sobre todos os outros: todos os detalhes foram pensados e estão no lugar certo. O SACD em estéreo da Sui Generis Beethoven Diabelli Variations com o pianista Marco Alcantara é um desses discos. Alcantara toca com uma elegância, precisão e lirismo num piano usando uma afinação conhecida como Thomas Young n.1. A afinação soa um pouco diferente do que estamos acostumados, mas não muito. Informações sobre a afinação, bem como sobre muitos outros assuntos estão incluídas no livrinho de 173 páginas (a embalagem se parece mais com um livro de capa mole com lugar para acomodar o CD na contracapa). O texto sobre as Variações Diabelli é em si fascinante - uma das coisas mais interessantes para mim é a tabela com descrições de cada uma das 33 variações feitas por Carl Czerny (1842), Wilhelm von Lenz (1850), Jürgen Uhde (1968), Alfred Brendel (1984), e Alcantara (2006). O disco também inclui a gravação de Alcantara de muitos esboços feitos por Beethoven para a obra. O som é brilhante, preciso e claro. Imerso em áudio multi-canal todo dia, eu tinha esquecido o quanto boa uma ótima gravação em estéreo pode soar. Este disco tão bem documentado me lembrou disso.'