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Gravura Marco Alcantara

É Marco Alcantara quem diz:

É muito difícil descrever as Variações Diabelli de Beethoven. São tantos os estados de humor que elas englobam, tão diversos os 'momentos' que elas respiram, de forma tão magistral, do mais ordinário ao mais inefável, enfim, tão grande quanto a própria vida. Está tudo lá dentro, desde coisas que nós pensamos controlar até eventos que não conseguimos entender e nos parecem completamente irracionais. Mas que tal escutarmos alguns exemplos?

Variação 10

Começamos com a famosa Variação X, que é considerada aquela com a escrita mais virtuosística de todo o ciclo. É uma variação dupla (ao invés de seguir as repetições das duas partes do tema, Beethoven escreve música diferente para cada repetição, dobrando o tamanho da variação), e atinge os extremos do piano de forma impressionante.

Mas o ponto alto do ciclo, para mim, está nas variações lentas. Aqui estão dois exemplos:

Variação 24, primeira parte

A Variação XXIV, uma fughetta a quatro vozes, um dos momentos mais sublimes das Variações. Aqui você pode escutar a primeira parte.

Variação 31, primeira parte

E a minha favorita: a Variação XXXI. Ela significa para mim o ponto culminante da obra, onde parece que o próprio tempo pára estarrecido diante desta 'deformação' do tema. O curioso é que apenas depois da gravação foi que percebi que eu toco esta variação mais lentamente que qualquer outro pianista que tenho notícia. Claro que isso não é uma competição de velocidade (nem para mais nem para menos), e isso por si só não significa nada, mas por causa da ligação entre andamento e caráter (um assunto que me interessa e tenho planos para investigar no futuro), acaba por levantar questões sobre como esta variação deve ser vista. Se puder, compare esta primeira parte com outra gravação.

Alguns exemplos de duração:

  • Alcantara - 7'40
  • Schnabel - 5'30
  • Barenboim - 6'11
  • Kinderman - 4'59